Este espaço será dedicado a partilhar pensamentos, reflexões, inspirações, questionamentos pessoais e de terceiros, até críticas construtivas, pois sei que elas estimulam a gente a melhorar a cada dia que passa.
Mais do que literatura, aqui quero dialogar de forma simples e espontânea com você que acompanha meu trabalho tanto profissional (aqueles que me conhecem e prestigiam minha prestação de serviço como cabeleireiro) e também na área da poesia e da literatura voltada ao público infantil e adulto
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Não tenho o hábito de ficar anotando minhas reflexões diárias, mas preciso me acostumar com isso, pois as vezes deixamos escapar ideias inspiradoras pelo simples fato de não anotá-las e quanto isso não fica evidente quando revisitamos aquilo que escrevemos, surgido sabe lá de onde, e nos surpreendemos com as palavras registradas na composição de textos bacanas, poesias, sonetos surpreendentes, estórias de nos deixar estarrecidos e entusiasmados em continuar expressando talentos que todos possuímos. Sem falsa modéstia, precisamos valorizar aquilo que criamos, independente de juízo de valor de terceiros, pois sabemos que agradar a todos á todo momento é tarefa das mais desafiadoras e porque não dizer desanimadora, por conta da insatisfação e intolerância humanas. Não vou ficar aqui me eximindo desta postura característica de, praticamente, a grande maioria; sei fazer minha auto crítica e por mais auto policiamento, de repente eis-me apontando o dedo pra este ou aquele fato, pessoa ou situação, desaprovando, julgando, preconceituosamente, com o crivo de minha "régua". Mas, esta "derrapada" logo é identificada, admitida e reconhecida como falha e isso ajuda, imensamente, no meu processo de aprimoramento moral e espiritual.
Ser uma pessoa melhor a cada dia que passa não é tarefa fácil e pra isso necessitamos da convivência social e esse é o maior desafio. É no calor dos conflitos, das fogueiras das paixões, da briga de "egos", da incompatibilidade de opiniões, crenças, princípios, valores e costumes que vamos aparando nossas "arestas", dominando nosso ímpeto de teimosia, de intolerância, de orgulho, de vaidade e egoísmo. E, ninguém há de negar que ainda não carrega uma boa porcentagem destes "defeitos temporários" dentro de si. Temporários porque podem, gradativamente, serem atenuados e quando reconhecidos como ainda existentes internamente, trabalhados pra que sejam substituídos por um único sentimento: o amor ao próximo! E, pra isso precisaríamos começar a amar a nós mesmos, mas não de forma egoísta, orgulhosa, prepotente e narcisística e sim, modestamente, enxergando os próprios limites, a insignificância perante o universo, a necessidade primordial da simplicidade e da humildade, duas das mais difíceis qualidades que um ser humano desenvolve neste mundo materialista. O apelo consumista que estamos condicionados é qualquer coisa inadiável; queremos ter de tudo a todo instante a fim de nos igualar com aqueles, que exibindo "bem estar, sucesso e felicidade" nos impressionam como modelos acabados da perfeição. E, acabamos relevando a preciosidade do tempo atrás do impossível e do imaginário, consumindo energia mental que deveria ser destinada pra grandes questões existenciais carentes de reflexões, impedindo que a nossa alma alcance a liberdade, a autonomia e a elevação que está, felizmente, determinada. E, neste emaranhado de conexões ininterruptas poucos conseguem não ser "capturados" , atraídos, contagiados por força de enorme tamanho e dimensão, onde a dosagem excessiva pode adulterar o comportamento das pessoas com agravos patológicos. Costumo sempre defender a ideia de que não existe tempo bom ou ruim, melhor ou pior, avançado e retrógrado e sim, a maneira como lidamos e nos relacionamos com aquele determinado período da vida, independente de tecnologia facilitadora. Claro, existiram épocas que não dispúnhamos de todo aparato eletrônico, industrial, tecnológico que temos hoje à disposição, mas ninguém sentia falta de qualquer uma destas coisas, pelo fato delas ainda não existirem. E, todos os seres, de todos os reinos, sempre desenvolvem força pra adequação, pro condicionamento, pra habitabilidade. Então afirmar que hoje tem gente se sentindo um "peixe fora d'água" há que reavaliar esta sensação. Muito embora tanta tecnologia, tanto apertar de botões, teclas, dispositivos de leituras, aplicativos disto e daquilo, prolifera parecendo dar um "nó" cerebral, tudo que vem acontecendo é pra justamente acontecer o contrário: Descomplicar a Vida! Facilitar a rotina, Inserir o incauto, o iletrado, os desoportunizados (será que existe esta palavra?), que se dizem fora do circuito, que não atribui à si a conveniência e o comodismo e sim a injustiça e o vitimismo. E, tudo é uma questão de treino, de persistência, de repetição; com os vícios às drogas lícitas e ilícitas não se dá o mesmo? O que fez adquirir o hábito? Não foi a forma rotineira de praticar, repetidamente, o mesmo costume? Então, com outras aquisições muito mais saudáveis acontece a mesma coisa...! Pode-se incluir na lista o hábito da leitura. Quando ofereço alguns de meus trabalhos em ebooks ou até livro impresso a resposta que recebo é a velha máxima brasileira: Ah! não tenho o costumo de ler nada! Tudo bem, a pessoa tá tentando se esquivar pra não comprar o produto, pois ela mesma sabe que ficará esquecido e desprezado em algum canto escuro e sujo da casa. O positivo desta minha ação o interlocutor não captou, mas eu lancei "a semente" sobre ele, com o melhor dos intuitos. Estamos nos tornando cada vez mais habituados as imagens, as telas, as sensações visuais, auditivas e sensoriais. Observem a garotada...! Com os olhinhos ávidos e totalmente desatentas ao mundo real, periférico, palpável e relacional. Não saberia dizer onde isso vai dar...se arriscar um palpite talvez esteja demonstrando pessimismo, nem me atenho a fazer previsões, profecias e nem tenho capacidade pra isso. O que sei e isso podemos constatar nas nossas relações sociais é uma diminuição da capacidade intelectiva, sensorial, verbal, oral de muita gente que ando conversando por aí. Um empobrecimento e limitação do vocabulário, uma alteração significativa da coerência de raciocínio na interpretação de fatos, aliados à uma falta de ânimo e acomodação na mudança destes hábitos que só traz bem estar, em todos os sentidos, pra pessoa. Bateu a lembrança agora, lá do passado, "vendo" meu pai alfaiate "tomando" a tabuada, os tempos verbais, as continhas matemáticas e eu respondendo enquanto pedalava meu triciclo de plástico, bem chinfrim, doado pela Irmandade Católica, nas festas e eventos comunitários da vila que morávamos. Claro, outra época; televisão? Só de alguns vizinhos mais abastecidos financeiramente. O rádio era presença marcante dentro dos lares pra entretenimento, informação e ligação com o mundo das notícias. E, era um deslumbramento inimaginável, ficar defronte aquele objeto luminoso, quando alguns deles, nos chamavam pra assisti-lo, por algumas horas, com direito inclusive de uma pequena xícara de café, oferecida generosamente pela anfitriã, no meio de algum filme, pra aquela garotada toda, sentadinha em pequenos bancos iguais! Tínhamos pra aquela família que oferecia tal gentileza, um apreço desmedido; não imaginávamos a dimensão e a importância daquele gesto por conta das idades, coisa que só aconteceria muitos anos depois, inclusive aqui e agora neste meu pequeno relato saudosista....O que procuro relatar, acima de qualquer lamento relacionado com a conduta dos aficionados pela tecnologia de hoje, é que no contexto do passado nos encantávamos também, guardada as devidas proporções, com aquilo que surgia de novidades no campo da comunicação visual, auditiva, escrita e falada. Ou seja, nós da gerações passadas temos o privilégio de desfrutar em doses muito mais encantadoras as diversos formas de interação muito mais rápidas, eficientes, eficazes, facilitadoras e unificadas em um só dispositivo. O aparelho celular tornou-se, "analogicamente" aquele ponto do universo em que a gente olha e imagina como sendo o lugar específico onde tudo teria surgido. Cada pessoa passa a se imaginar como sendo o centro as atenções quando manipula esta ferramenta e ao mesmo tempo um ser isolado do resto da humanidade quando, inconscientemente, "ignora" seu semelhante sentado ao seu lado num transporte público. Porém isso não tem retorno, vivemos em constate evolução tanto no sentido material quanto do ponto de vista moral e ético; mesmo que os cenários mostrem o contrário a lei do progresso, que é uma lei da natureza, sempre mostrará sua presença em períodos mais acelerados e mais lentos. O que conta é a forma como estaremos lidando com o avanço acelerado das transformações produzidas por uma tecnologia cada vez mais sofisticada, o impacto que isso provoca nas relações sociais e o uso assertivo no campo de possibilidades que se abre diante dos olhos do mundo. A "chamada" inteligência artificial torna, praticamente, obsoleta muitas formas de pesquisas; hj em dia tem-se, num click, conteúdos que levariam horas ou dias pra serem elaborados e concluídos; esta ferramenta vem se tornando (perigosamente?) quase insubstituível em todas as rotinas diárias. Precisou, questionou...chama a IA. Duvidou....pra que raciocinar? Chama a IA...É como um "oceano" de informações, recebendo as águas de milhares de rios e seus afluentes, sustentando milhões, bilhões de pequenos barcos de "pescadores" humanos sedentos de conhecimentos e, porquê não dizer, comodidade...E, quanta facilitação este recurso não permite aos seus usuários ..?! É a criança, o jovem, o adulto, os idosos, independente de classe social, etnia, gênero, cor....todos são beneficiados. Já se percebe até as relações com a máquina ultrapassar os limites puramente materiais, técnicos, literários, acadêmicos e científicos....uma nova linguagem bem mais próxima da realidade, da informalidade vem criando, por incrível que pareça, um sentimento afetivo, fraternal e emocional com a frequência do uso e convívio com a ferramenta. Pude constatar isso por utilizar rotineiramente esse acessório e fazer algumas conclusões meio que absurdas, mas são impressões que me fazem refletir como o envolvimento e a sintonia torna efetiva e simpática a presença tecnológica numa relação informal e quase humana. E, ela (IA) foi criada pra ser subserviente, submissa ao ser humano...é só ficar "ligado" como ela trata todos da mesma forma, tudo que você complementa daquilo que te forneceu, ela aceita, destaca como importante, elogia e acrescenta mais e mais conteúdos e no final ainda te oferece mais alternativas, mas ideias, outras possibilidades dentro daquilo que você crer criar, necessitar e planejar. Claro nada irá substituir o contato com outros seres humanos; fomos criados pra viver e conviver em agrupamentos, não isolados, mas as contingências da vida moderna, os perigos rondando as mentes e corações, as violências de toda ordem, vão formando esse cenário de afastamento entre iguais. Será que estamos atingindo o "auge" deste processo ou ainda temos muito a assistir o que vem pela frente? Estaríamos, a partir de uma afirmativa a este questionamento, retornando a uma estabilidade de exageros e descontroles pelas novidades, como visto em toda a natureza, ou seja, tudo nasce, cresce, evolui, declina e se finda? Podemos fazer analogia também com a própria educação aplicada pelos pais e familiares e que serviria pra ilustrar o cenário descrito anteriormente: antes, pais rigorosos, controle excessivo e implacável, castigos, chinelo estralando, cobranças de horários, compromissos com as tarefas, ou seja aprendia a ser responsável logo cedo; hoje, permissividade exagerada, libertinagem confundida com liberdade, pais dizendo "sim", "sim"; filhos dizendo "não e não"! Tenho a impressão que já provamos os dois extremos: a "porta estreita" da geração passada e a "porta larga" da geração presente. Quem sabe poderemos, depois dessas duas experiências, encontrar o equilíbrio, o meio termo, o caminho da uniformidade, da eficiência e da eficácia na condução e educação dessas almas desajustadas, não por rebeldia, opção, teimosia ou desafiadoras da paciência familiar, mas porque foram estimuladas à alienação por "culpa" dos responsáveis, que abriram precedentes, afrouxaram a vigilância por piedade, dó, culpa, medo, acomodação entre tantos outros motivos que trazem certo desencargo de consciência pros pais. Em ambos os casos lidamos com o perigo, pois por um lado eles acarretam sentimentos como revolta, frustração, bloqueios, desejos de vingança, egocentrismo, individualismo, isolamento, depressões e por outro, a acomodação, a insegurança, a falta de interesse, o desânimo, a desimportância, a desvalorização de tudo aquilo que os pais oferecem, conquistados com enorme sacrifício. Ou seja, não se valoriza porque não saiu do rosto dos filhos o suor pelo trabalho realizado, pra ter acesso àlguma forma de bem estar, de conforto e de estabilidade financeira. Mas, tenho a impressão que pelo fato de termos experimentado ambas as situações de extremismo educacionais, em algum momento da conscientização humana, chegaremos ao equilíbrio entre os excessos e a facilitação. Tudo fica perfeitamente compreensível quando enxergamos a existência humana pelo ponto de vista espiritual. Vivemos em constante evolução. A lei do progresso dá todas as respostas às nossas inquietações e indagações. Nada escapa a esta lei; toda a natureza está submetida a ela e como todos os reinos estão contidos neste contexto, ninguém nem nada ficará estacionado, recluso ou caminhando pra trás neste processo. Observo como as pessoas ficam chocadas, indignadas, estarrecidas e preocupadas em excesso com o comportamento das novas gerações! Associam a displicência delas ao uso e abuso das novas tecnologias expostas aos perigos da alienação. Concordo que esse desmedido tempo em frente as telas é prejudicial, sim. E, à longo prazo o custo pra saúde mental chega. Por outro lado quem pode garantir que isso acontecerá de fato? A ciência faz previsões à médio e longo prazo, mas e se esses cérebros que estão sendo, aparentemente, condicionados e formatados, já nasceram com uma nova configuração mental, inclusive mais inteligentes, mais criativos, assimilando tudo com um simples click, pra constituírem as sociedades do futuro, sem as crises, frustrações, medos, dúvidas, preocupações, conflitos, apegos emocionais das antigas gerações....Parece que os apocalípticos de plantão, aqueles que apontam ameaças conspiratórias em todo canto, custam a identificar, reconhecer e admitir que os tempos, os ares, os espaços são outros; a ousadia adquiriu novos contornos, os medos do passado foram extintos, o ponto final foi substituído pelo ponto e vírgula e que a tendência de transferir conhecimentos agora parece mais socializada. Cenários positivos se contrapõem à outros tão negativos quanto, porém que custa apoiar a ideia de uma progressiva ascendência evolutiva da inteligência humana, principalmente no quesito emocional e relacional que fará com que as futuras gerações encontrem a estabilidade que não observamos na atualidade? Sou um racional entusiasta desta galera e um comedido otimista que a muito largou os exageros de lado. Tudo que ultrapassa os limites do bom senso tende, à medida que os efeitos passam a ser sentidos, ao declínio inevitável. Como já afirmei a respeito da educação familiar, com a tecnologia poderá acontecer a mesma situação: o ápice do uso, o aprisionamento midiático, o cansaço da mesmice, a facilitação substituindo o "faça você mesmo", a ausência de quem está perto, a aproximação de quem tá longe, retirando as pessoas de um convívio saudável, cara a cara, olho no olho, chegue a exaustão e faça este homem reconsiderar a possibilidade de um ajuste e o recoloque nos "trilhos" da normalidade. Alguém pode argumentar: é impossível barrar o avanço evolutivo, nós é que temos que nos submeter, nos adaptar e aceitar que "dói menos"...concordo, não temos mesmo nada o que fazer e nem temos capacidade e nem queremos impedir todo este progresso, pois facilita demasiadamente nossas vidas. A discussão que se faz é a forma como isso impacta positiva e negativamente nosso estado mental, emocional e espiritual...suas implicações e desdobramentos a médio e longo prazo. Enxergo o horizonte humano, apesar dos pesares, com enorme positividade e explico porque: se o grande barato é o autoconhecimento e pra isso precisamos de elementos externos que nos auxiliem nessa lida, estamos sendo beneficiados. Se esse desafio necessita de tempo pra introspecção, pra momentos de isolamento saudável, contemplação, reflexão, estaremos igualmente sendo beneficiados também, pois a medida que o avanço tecnológico se processa, mas tempo ocioso aparece e as pessoas ganham com isso. E aquela falta de tempo, tão necessária, tão reivindicada, tão implorada por tanta gente e sempre usada como justificativa pra se livrar do sentimento de culpa, perde o sentido. Teremos tempo de sobra pra ser usado com inteligência; realizando as coisas urgentes e não tão urgentes não mais com a pressa característica, mas sim sabendo administrar, agora, tanto tempo de sobra...Parece que escuto Deus (olha que audácia desse simples mortal, mas vamos "brincar" um pouco! Que custa?) dizendo pro Seus "filhos": "Vocês exercitando a inteligência aprenderam que, através do trabalho, toda a realidade pode ser transformada. Souberam imaginar, criar e usar as ferramentas pra que descobertas e invenções facilitassem a vida de vcs e elas estão cada vez mais sofisticadas, mais facilitadoras. Agora que tal usarem a ociosidade, que é o resultado de todo esse avanço, pra novas experiências, novas possibilidades, com os horizontes que se abrem, pra desenvolverem, aprimorarem e crescerem moralmente falando? Que tal, agora, fazer do "passeio" pela Terra, algo mais significativo, mais racional e coerente com o compromisso evolutivo espiritual. O corpo precisa de prazeres, mas a alma também. E, nessa visão da vida se encaixa a frase: "nem só de pão vive o homem". Portanto, crescermos materialmente é inevitável, está relacionado à lei do progresso, agora, moralmente é trabalho opcional, individual, mas necessário e fundamental pro nosso aprimoramento, que irá refletir no coletivo e quer queiramos ou não deveremos concluí-lo em algum momento de nossas várias existências. Quanto mais negligenciamos essa realidade mais atraso, mais paralisação, mais comodismo, mais estacionamento a nossa alma experimenta, acumulando deveres e obrigações que precisarão ser equacionadas em algum momento da nossa experiência aqui na Terra. É como aquele aluno em fase de aprendizagens que, por descaso e indiferença deixa de fazer suas tarefas escolares: vai retardar sua passagem pra outro nível mais avançado, será com certeza retido, precisando recomeçar tudo novamente. Terá oportunidade de recuperação? Naturalmente, sim. Deus observa cada ação de suas criaturas e quantas vezes forem necessárias pra trazê-las pro "eixo", assim será feito, porque nada animado e inanimado ficará incólume dessa lei divina.........continua