CONFISSÃO
Não faço preces com palavras
Nem me ajoelho em suplício
Minha entrega é no silêncio
No confessar dos erros e dos vícios.
Conversar com Deus é um “mergulho”
Nas águas profundas da consciência
Nas solitárias horas de ser só
Um sopro de esperanças e urgências.
Na pressa sou injusto
Procuro lucidez, mas ainda desatento
Às contradições que me “cegam”
Das origens dos tormentos.
Falho, abrindo mão do tempo
Batendo sempre em porta errada
Uma estrela me vigia...
Boa companhia pra minha alma cansada.
Se saber esperar pela certeza
Que a resignação foi uma lição aprendida
Entrego minha alma à eternidade
Já que ela não se dá por vencida.
Foi pela fé que encontrei
A doce paz que a ilusão escondia
O desvio do caminho certo
Na busca do que não existia.
E, se tiver que me encontrar
Que seja como a névoa a se esvanecer
Se desfazendo lentamente
Vendo o dia que morre pra renascer.
Confesso... e não penso em castigo
Foram as horas que estive conversando comigo.