ORLA POÉTICA
Contento-me em tocar só nas margens
Das águas que banham minha elegia
Tenho-me feito marinheiro sem valentia
Dos mares que rompem minhas barragens.
Prefiro-me à deriva às profundezas sombrias
Abissais infinitos na nebulosa viagem
Me apraz a superficialidade de certas miragens
Onde o mesmo encanto me põe em sintonia.
Valho-me sobretudo do tatear impreciso
Nas palavras que sopram os ventos alísios
No oscilar das brumas que em mim se espraiam.
E, neste vaguear ritmado e constante
Imagino-me poeta num barco itinerante
Tocando horizontes que logo ali desmaiam.
Néo Costa
Enviado por Néo Costa em 29/08/2026
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