Sei que tua fome mais urgente
É tão infinita quanto minha sede de igualdade
Ambas, insolúveis, dependem da bondade
Dos homens, que se nutrem do egoísmo latente.
E, se comprazem, repousando nesta comodidade
Com os olhos e ouvidos tapados e ausentes
Enquanto os andrajos, invisíveis, famintos indigentes
Exibem toda sorte de um destino na cidade.
De que valeria aquela moeda na mão
Ofertada sem a aura da minha comiseração
Emergencialmente saída de minha consciência?
Pouco ou quase nada, a não ser
A atenção voltada deixando transparecer
Momentaneamente a máscara de minha presença.